Inspirada nos protestos que erguiam a bandeiram de Je Suis Charlie em Paris, a multidão argentina vai as ruas gritando que também é Alberto Nisman, o promotor de justiça argentino morto de forma suspeita no dia 18 de janeiro de 2015. Segundo a primeira versão do governo de Cristina Kirchner o investigador teria cometido suicídio, contudo a maior parte da população não acredita e se revolta contra a situação do partido peronista.
O que aconteceu?
O procurador federal de justiça Alberto Nisman foi encontrado morto em sua em casa com um tiro na cabeça. O que logo se divulgou foi o suicídio como motivo. O governo se antecipou às investigações da polícia e tentou fazer com que o povo engolisse essa ideia. Entretanto, a perícia indica que não havia vestígios de pólvora na mão procurador e um chaveiro que esteve na cena do crime afirma que a porta definitivamente não estava trancada.
Por que o governo faria isso?
Nisman havia dedicado os últimos meses de sua vida investigando um suposto acobertamento por altos membros do governo, incluindo a presidenta Cristina Kirchner, acerca da investigação do atentado terrorista à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA).
O que foi esse atentado?
No dia 18 de julho a Argentina tomou um susto. A América Latina que sempre se manteve calma em relação à ataques terroristas vindos do Oriente Médio acordou as 9h53 com a explosão de um carro bomba à AMIA, que deixou 85 mortos e 300 feridos. Esse foi o maior atentado já ocorrido no país e a maior perda judia desde o Holocausto.
Os maiores suspeitos (alguns já confirmados) são membros do Hezbollah (partido libanês com braço armado terrorista) e do governo iraniano (há indícios que apontam para envolvimento do atual presidente Hassan Rouhani). Curiosamente, Cristina evitou as investigações e anos depois propôs um memorando ao lado do Irã para investigar os acontecimentos.
Usar os possíveis responsáveis como parceiros não agradou a população e segundo informações colhidas por Nisman, essa combinação de atos suspeitos envolveria troca de petróleo iraniano por grãos argentinos. Até hoje nada foi definitivamente esclarecido.
O que deixa a morte mais estranha?
Curiosamente, nas semanas anteriores ao acontecido Nisman andava sem seus 11 seguranças que sempre o acompanhavam. Ademais, segundo pessoas próximas, como a deputada Patricia Bullrich, ele parecia feliz e não haveria porque ele se matar em uma fase tão crucial de sua investigação quando seriam apresentadas provas ao Congresso.
O jornalista Damian Ezequiel Pachter reforça a ideia de atentado ao procurador. Ele foi um dos primeiros a noticiar sua morte e por obter importantes informações preferiu fugir do país e se abrigar em Tel-Aviv. De forma impressionante, a Casa Rosada divulgou publicamente a localização do jornalista o que causou estranheza no caso. Para piorar, Damian afirma ter sido seguido pelo serviço secreto até seu exílio.
Qual a atual postura do governo?
Vendo-se encurralada pela pressão popular, Kirchner rapidamente foi à televisão e mudou seu discurso afirmando apoiar a apuração de informações sobre a morte do hoje herói argentino. A inconsistência de discurso e a falta de postura e seriedade na investigação (como apontado por moradores que estiveram na casa de Nisman) a cada dia levam mais pessoas à Plaza de Mayo.
Se não bastasse, o partido peronista alega que Nisman não possuía informações verdadeiras e que fazia parte de um complô junto do diário Clarín (um dos poucos veículos não manipulados pelo governo no país) contra seu governo.
Lamenta-se assim a situação da Argentina. São protestos contra a atual situação econômica do país, contra o acobertamento de terroristas e contra a morte de Alberto Nisman. Nos meses finais de governo, Cristina (que ainda possui maioria do Legislativo) deverá se recolher a seu "bunker" para garantir ao menos um fim de mandato.



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