Os problemas de aceitação cultural-religiosa no Oriente Médio são datados de centenas de anos, entretanto, a questão se torna mais séria quando armamentos nucleares são envolvidos na disputa. A mistura de tais armas com o ódio e divergências já não deu muito certo em 1945 e quase entraram em colapso durante a Guerra Fria.
Hoje, a questão é outra: a possível criação de um arsenal nuclear pelo Irã, que já ameaçou Israel e não reconhece sua existência. Por outro lado, vemos o lar judeu com armamentos confirmados por algumas partes do governo e a não-assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armamentos Nucleares (TNP) recomendado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Sabendo da confusão que é este tema, entenda melhor a questão:
Por que o Irã construiria uma bomba?
O Irã não simpatiza com o Estado de Israel desde sua criação; afinal é um povo estranho que expulsou e agride muçulmanos em um território (continental) em que estes são maioria. Tendo regente uma República Islâmica (com presença de um líder religioso, o aiatolá, e um do governo, o presidente) e um Estado Judeu a tensão aumenta.
A situação, contudo, hoje é uma das mais tranquilas, haja visto o posicionamento do atual presidente, Hassan Rouhani, que contrasta e muito com o de seu antecessor, o ultra-radical, Mahmoud Ahmadinejad. O ex-presidente em um surto de extremismo já chegou a afirmar que "o holocausto não foi totalmente ruim".
O que o Irã alega?
Rouhani (talvez o presidente mais moderado da história iraniana pós-revolução) afirma que o programa nuclear iraniano (iniciado quando este estava sob influencia americana na década de 70) não possui intenções bélicas. A intenção alegada seria pacífica, a de trabalhar com equipamentos médicos que necessitam de urânio enriquecido.
Apesar disso, seguem sem permitir "visitas de vistoria surpresa" da AIEA, mesmo tendo assinado o TNP, o que torna o processo digno de suspeitas.
O que é o TNP?
Tanto falado nos últimos meses, o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) é um acordo firmado pela comunidade internacional durante a Guerra Fria (após a Crise dos Mísseis) afim de evitar um enorme colapso, freando a produção de armas nucleares.
Deste modo, fica expressamente proibida a produção de novos arsenais tanto para os países que já possuíam anteriormente quanto para os que ainda não possuem. O enriquecimento de urânio, não obstante, é permitido para fins pacíficos, como no de processos medicinais.
É importantíssimo salientar ainda que há nações que não assinaram tal tratado, essas são: a Coréia do Norte, Índia, Paquistão e Israel, que curiosamente critica o Irã e não sofre quaisquer sanções.
Como está se desfechando essa situação?
Em diálogo desde 2013, Irã e o G5+Alemanha (intermediado principalmente entre o Secretário de Estado americano, John Kerry e o Ministro de Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif) parecem enfim estar entrando em um consenso, mesmo que sem a aprovação de Israel que sempre criticou o diálogo.
Teerã não esbarrou no conservadorismo tradicional do país e tem bons diálogos com o ocidente, inclusive com o apoio do aiatolá Khamenei (que sem sua aprovação não teria ocorrido a negociação) e de boa parte da população, que acredita que os acordos melhorarão a situação econômica do país.
Por fim, Rouhani prega que seja um acordo "ganha-ganha", positivo para os dois lados. As expectativas são de que até 30 de junho já haja uma definição que não deve fugir muito das exigências feitas pelos dois lados. Assim, haveria a remoção de boa parte das sanções à Teerã e uma acentuada diminuição do programa nuclear do país.
Me surpreende muito a aceitação e o aberto diálogo do atual presidente iraniano, contrariando todo um retrospecto de agressividade da presidência do país. Me causa estranheza ainda o posicionamento israelense, que obviamente sofre com o medo na hostil região, mas que critica um acordo que visa a paz enquanto ele mesmo produziu armas nucleares com o TNP já vigente. Israel faz questão de não assinar e criticar o Irã, e o pior, não sofre sanções...



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