De início é bom lembrar que o mundo hoje é totalmente interligado e interdependente, ou seja, qualquer ação de maior destaque em países de evidência causam variações na economia mundial. Sendo os Estados Unidos o país de referência econômica seus benefícios ou prejuízos refletem com ainda mais rigidez nas economias alheias e assim começa a desandada do dólar para o brasileiro.
Hoje (10 de fevereiro) o dólar fechou em maior alta desde 10 de novembro de 2004 marcando R$2,823. Isso não significa apenas que o dólar se encontra enrijecido, mas principalmente que o real aparece enfraquecido (fato apontado pelo economista Marcelo Loureiro na coluna de Miriam Leitão do Globo).
Resulta-se assim em todo um desgaste no setor de importação do país que terá que gastar mais para manter o ritmo de trabalho. Além disso, influencia o ramo do turismo, é claro, já que dificulta a viagem de milhões de brasileiros (que chegam a pagar R$3 o dólar nas casas de câmbio).
Por que?
Como anteriormente dito, ações locais em importantes polos influenciam a economia global e hoje quem mais mexe com as cartas são a China, a Grécia e, obviamente, os Estados Unidos. Ademais é importante lembrar que esses são os fatores que influenciam na relação real-dólar e, portanto, tudo se relaciona com o Brasil.
O mundo vive um período de menor crescimento em geral e o preço dos commodities vive uma baixa, o que está diretamente relacionados com as negociações Brasil-China por minério de ferro.
| Apesar de estável, hoje a China pode comprar menos. |
Primeiramente, com um menor crescimento, os asiáticos tem menor poder de compra e, assim, compram menos minério brasileiro. Em segundo lugar, pela baixa de preços as compras geram menos lucros ao Brasil o que faz com que menos dólares entrem no país e com menor oferta o preço sobe drasticamente.
A Grécia, e a Europa como um todo, incomoda todo o mundo com a insegurança acerca de sua crise e uma possível saída da Zona do Euro. Sabendo do poder desta moeda e dos riscos que ela tem sofrido além do atual cenário da economia europeia (como a guerra na Ucrânia, as sanções à Rússia e uma leve baixa na Alemanha) pode-se verificar que o valor mundial do dólar também é afetado.
| Rígido, Obama discute o futuro econômico do país com a levemente abalada Merkel. |
Na Terra do Tio Sam pode-se verificar um enrijecimento da economia e uma possível antecipação da elevação das taxas de juros para antes de junho. Isso prejudica intensamente não só o Brasil mas todos os emergentes e produtores de commodities, visto que uma alta dessa taxa significa mais lucro para investimentos internacionais e com maior estabilidade, a economia norte-americana pode ser um melhor investimento do que os ditos "em desenvolvimento".
Resumindo: "O quadro global é de maior aversão ao risco em virtude do desabamento dos preços das commodities", afirma Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria Integrada.
E o que acontece dentro do Brasil?
Por fim, é importante saber que não é só o cenário mundial que tem prejudicado o Brasil. O risco de um enorme problema com a desvalorização do real em relação ao dólar existe pelo péssimo momento da conjuntura do país.
O segundo mandato de Dilma Rousseff mesmo com a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda (o que aparentemente animou o mercado com uma queda do preço do dólar no começo do ano) não empolga o mercado mundial. Além disso, os recorrentes escândalos de corrupção (o da Petrobrás evidente na atualidade) além dos problemas de energia e água só afastam investimentos país.
| Triste encontra-se Levy sem conseguir converter concessões em investimentos. |
Vê-se, pois, que resta ao Brasil uma enorme reformulação já prevista por Levy que não trará resultados imediatos mas a médio e longo prazo. O novo ministro da Fazenda já fez questão de ir a Istambul para reunião do G20 afim de atrair investidores por meio de concessões que trariam dólares para o país. Tudo isso para segurar o câmbio e a economia tupiniquim.
Pena que na conjuntura atual, o Brasil é um dos países menos atrativos para se investir.

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