Foi de espantar o brasileiro quando noticiado que o Brasil, passando por uma intensa crise energética iria doar uma usina térmica à Bolívia. Como assim, o nosso país, que está precisando de energia irá dar uma usina para os bolivianos? Isso é o que em um primeiro momento pareceu com a leitura superficial ou tendenciosa. A relação, entretanto, é bem mais complexa.
O Brasil realmente doará a tal usina térmica Rio Madeira ao presidente Evo Morales?
Sim, isso é inegável. A princípio será uma concessão por empréstimo de 10 anos renováveis, contudo, é nítido que os gastos de devolução da usina ao Brasil em caso de não-renovação seriam tão altos que não compensaria e ficaria por isso mesmo.
Por que tal ação?
Como se sabe, o Brasil, com um governo dito de esquerda, tem se aproximado de outros países com o mesmo viés político, principalmente quando o assunto é América do Sul. Deste modo, a presidenta Dilma promoveu uma "política de boa vizinhança" com a Venezuela, o Uruguai e, no caso, a Bolívia.
Tal doação foi solicitada pelo presidente Evo Morales em um encontro entre os dois presidentes na Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac) e como "bom vizinho" o governo federal aprovou.
Qual a situação da usina Rio Madeira?
Atualmente, a usina que abasteceu os estados de Rondônia e Acre durante 20 anos não é utilizada, haja visto que está extremamente sucateada e é uma das que produz o megawatt mais caro do país, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Sabendo disso, o governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, fará a doação com uma reforma que custará R$60 milhões (apenas em termo de comparação, o estádio "elefante branco" Mané Garrincha custou absurdos U$830 milhões).
Mas por que não reformá-la para o nosso uso? O que o Brasil ganha com isso?
Promovendo tal política de "boa vizinhança" o Brasil pretende garantir uma boa vontade de Evo. A Bolívia é hoje o maior fornecedor de gás ao Brasil, o qual abastece diversas usinas no país. Sabendo que o preço do metro cúbico tende a aumentar mais uma vez, a presidenta pretende com a "boa ação" ganhar uma redução do preço em troca.
Ademais, está nos planos do Ministério de Minas e Energia construir uma usina hidrelétrica binacional na fronteira entre os dois países, aos moldes do que foi feito com a usina de Itaipu. Tal construção provavelmente abastecerá muito mais famílias do que a sucateada Rio Madeira.
Tal medida seria de extrema utilidade ainda para limpar a imagem brasileira com os vizinhos após o diplomata Eduardo Sabóia facilitar a fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina, que se escondia na embaixada brasileira com medo de ser condenado por corrupção.
Agora em minhas palavras, acho importante não fazer o leitor mudar de ideia acerca de tal doação, afinal, uma política de "boa vizinhança" seria mais interessante com países que podem proporcionar mais ao Brasil. O intuito, na verdade, é esclarecer os fatos, haja visto que foram noticiados com extrema parcialidade e com manchetes tendenciosas. Espero ser bem compreendido.



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