O atentado terrorista ao semanário francês Charlie Hebdo suscitou uma ira francesa que o mundo não via faz tempo. Com teor xenófobo, um enorme grupo foi às ruas pediram quase que uma "cassação" dos estrangeiros, principalmente muçulmanos. A motivação, obviamente, não era só o ataque, mas esse havia sido o estopim. Com um país em crise financeira e elevadas taxas de desemprego, os nativos sentiam que os imigrantes roubavam suas vagas e oportunidades.
Em meio a estes protestos de extrema-direita um nome se sobressaiu: Marine Le Pen. Filha do ex-presidente do partido Frente Nacional, e atual presidenta do mesmo, a advogada, política e candidata à presidência em 2012 começou ser mais falado nas bocas dos mais radicais. Consequentemente, ganhou força política e já é um nome que ameaça a situação e a oposição nas eleições presidenciais de 2017.
Como funcionam as eleições francesas?
O sistema de eleição presidencial da França é bem semelhante ao brasileiro. Movido em dois turno/duas voltas o presidente precisa de mais de 50% para não haver o primeiro turno. Entretanto, as semelhanças param por aí. Com o voto não obrigatório, a participação popular costuma ser de 50%, ou seja uma a cada duas pessoas vota.
Ademais, quando eleito, o presidente é apenas chefe de Estado, uma vez que a França é regida por uma República Parlamentarista. Sabendo disso, o presidente escolherá o primeiro-ministro do país (este chefe de governo) e os demais ministros.
O que defende a Frente Nacional (FN) e Le Pen?
As principais bandeiras levantadas pelo partido são de extrema-direita. Com proposta xenófobas e contra principalmente os árabes oriundos do Magreb, Le Pen torna-se uma ameaça para os partidos mais conservadores. Além de se mostrar contra a imigração, a FN coloca-se contra a utilização do Euro em território francês.
Apesar disso, a atual liderança do partido é menos radical do que a anterior. Jean-Marie Le Pen (pai da atual presidenta) já concorreu às eleições, mas o melhor resultado que conseguiu foi 16,8%. Bom para a comunidade europeia, uma vez que o ex-presidente do partido se mostrou mais adepto da xenofobia sendo considerado altamente antissemita ao afirmar que as câmaras de gás nazistas foram apenas um "detalhe na história".
Para mostrar que a postura é diferente, Le Pen chegou a afastar o legislador Alexandre Gabriac que apareceu em fotos pessoais fazendo saudações nazistas junto à bandeira do extinto partido alemão.
Qual a atual popularidade da FN?
Nas últimas eleições presidenciais, em 2012 Marine Le Pen concorreu, mas foi mera coadjuvante. Com apenas 17% dos votos, Le Pen ficou de fora do segundo turno disputado por Sarkozy e o vencedor Hollande.
A situação parece, contudo, mudar. Segundo a agência francesa de pesquisas Ifop, se as eleições presidenciais ocorressem hoje, a presidenta da Frente Nacional venceria o primeiro turno por 30% havendo necessidade de segundo turno. Surpreendentemente a coligação conservadora de centro-direita, UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, ficaria em segundo, enquanto o atual primeiro-ministro, Manuel Valls, ficaria em terceiro concorrendo pelo Partido Socialista.
Há de se considerar, porém, que os números divergem e há pesquisas que chegam a colocar Le Pen em terceiro (mesmo que por uma margem não muito grande) e em caso de segundo turno perderia tanto para Sarkozy quanto para Valls.
Qual a reação popular?
Insatisfeitos com o governo de Hollande, que apesar de esquerda não conseguiu manter o emprego e as boas condições econômicas do país. Além disso, espantou grandes investidores com pesadas taxações sob grandes fortunas. Com isso, poderes alternativos como o da Frente Nacional e da UMP ganharam frente.
Boa parte da população, enfurecida devido ao atentado ao Charlie Hebdo, realmente acredita que esta seja a solução. Tal postura preocupa o atual primeiro-ministro que já se posicionou: "Os resultados da Frente Nacional são extremamente elevados. A FN representa um perigo mortal e pode ganhar as eleições presidenciais".
Por mais que as opiniões divirjam, o que é absolutamente natural, não vejo com bons olhos nenhum tipo de extremismo. A intolerância racional e religiosa não pode ser defendida e o avanço de Len Pen me assusta. O que mais me surpreende é não assustar tanto assim o povo francês.



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