Grécia: Um pontapé nos credores


Em tempos de caos econômico e crise de desemprego a Grécia parecia não ter para onde fugir, mas o partido de esquerda Syriza com o novo primeiro ministro Aléxis Tsípras demonstram ter a solução. Eles prometem em seus próximos quatros anos no poder dar "um pontapé nos credores" (como bem definiu o jornalista William Waack) e assim não pagar as dívidas.

Aparentemente é uma atitude irresponsável que poderá causar enormes prejuízos à Grécia, porém na situação que se chegou a população não aguenta mais políticas austeras (de corte de gastos). "Quando a dívida chega perto de 180% é necessário fazer como o Tsípras tem feito: me dê outras condições porque estas eu não vou fazer." resumiu o economista Paulo Rabello de Castro no programa Em Pauta.

Qual é a atual situação da Grécia?


Em um caos sócio-econômico acarretado pelas consequências da crise mundial de 2008, a Grécia não encontrou saídas a não ser contrair empréstimos de grandes credores como a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Europeu. Entretanto, há de se salientar que nada vem de graça e com o dinheiro veio uma famosa cartilha que prega sérias medidas de austeridade ao país. Deste modo, o povo viu a demissão de funcionário públicos, a diminuição de direitos trabalhistas, o aumento de impostos e a privatização de empresas, tudo visando enxugar as contas do Estado para estabilizar sua economia.


Em tese parece bom, contudo, com o "saco de maldades" (apelido comum para um pacote de medidas austeras) a população começou a ficar desempregada (o número já chega em torno de 25% e quase 60% entre jovens) e a passar fome o que acarretou revoltas. Visando fugir deste problema o povo apoiou um partida que vinha de uma crescente eleitoral e que promete tomar a contra-mão do pagamento das dívidas, ignorando os credores e esquecendo o pagamento (a qual já chega a 300 bilhões de euros ou 177% do Produto Interno Bruto, PIB, do país) para retomar uma boa qualidade de vida.

Quais os planos do Syriza?


Como já dito, o objetivo não é pagar o que contraíram, mas em linguagem mais coloquial "dar um calote". O novo primeiro-ministro, Tsípras (com o apoio de uma boa maioria da população) objetiva um acordo semelhante ao Acordo de Londres que perdoou uma boa parte do devido pela Alemanha após a Segunda Guerra.

De primeira vista o plano parece bastante agressivo, mas no fundo se contém um pouco e aproveita do bom diálogo político para agradar a população, o que o governo anterior não fez ao impor o corte de gastos. "O público tende a ser muito racional quando a explicação é boa" também explicou Paulo Rabello de Castro.

No plano de governo do Syriza aparecem sensatas propostas para um país em crise que poderá agradar a população e resolver a longo prazo a crise. Primeiramente pedirão aos credores um perdão de 50% do contraído (cerca de 160 bilhões de euros) e em seguida será solicitada uma renegociação "sustentável" dos outros 50%. Contudo, para que esse pagamento seja feito apresentam uma proposta de moratória (desistência de pagamento) temporária, até a retomada do crescimento, para que o ressarcimento não os prejudique. Por fim, definem um plano de ajuda social que deverá custa cerca de 11,3 bilhões de euros, não obstante querem conseguir um superávit primário (como já se vê nas últimas prestações de contas) e para isso visam arrecadar mais de 12 bilhões nesta área.

Como isso pode afetar o país?


Caso a ousada proposta seja aceita, o país tende a melhorar, entretanto há de se considerar que será um custoso trabalho, afinal devem mais de 1 trilhão de reais. Deste modo, não se pode negar que há a possibilidade de um afastamento da Grécia da União Europeia, o que para o bloco pode significar pouco, mas para o país será decisivo para uma maior consolidação da crise.

Mas não se pode negar que todo perdão é custoso e além de perder confiança, a Grécia deverá sofrer com medidas do bloco europeu que certamente não irá sair no prejuízo.

Quais os resultados na União Europeia?


O apresentado pelo Syriza é muito preocupantemente para o bloco econômico, afinal, perdoar uma dívida pode reagir como um efeito dominó. Como apontou o economista e pesquisador da FGV-Rio, Samuel Pessoal, esse perdão obrigaria a a UE a também relevar os empréstimos dos outros países do chamado PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - Spain) onde os movimentos de esquerda (com partidos aos moldes do Syriza, como o espanhol "Podemos") já ganham força.


Resta agora esperar a continuidade da reunião realizada nesta quarta-feira (11) de Tsípras com a União Europeia para conferir os resultados.

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